Uma mulher em traje de negócios, com cabelo loiro puxado para trás, coloca notas adesivas verdes no vidro de um escritório moderno. Ela está sorrindo, parecendo focada e organizada enquanto a luz do sol filtra pelas janelas deste espaço Empresas valiosas, iluminando o espaço de trabalho repleto de tons neutros e móveis minimalistas. - Efacont

No mundo dos negócios, a valorização das empresas reflete a força económica de um país e a sua capacidade de atrair investimento. Portugal tem vindo a afirmar-se no panorama internacional, figurando entre os países com maior concentração de empresas cotadas em bolsa. Mas como se compara com outras nações europeias e mundiais?

Neste artigo, exploramos a posição de Portugal no ranking global de empresas com elevado valor de mercado, analisamos os fatores que contribuem para este desempenho e comparamos com outras economias, desde os gigantes Estados Unidos até aos pequenos, mas influentes, microestados europeus.

Portugal entre os países com maior concentração de empresas valiosas per capita

Portugal ocupa a 26.ª posição mundial no que diz respeito à densidade de empresas cotadas em bolsa com uma avaliação superior a mil milhões de dólares por quilómetro quadrado. No que se refere ao número de empresas valiosas por milhão de habitantes, o país encontra-se na 33.ª posição. Estes dados resultam de um estudo conduzido pela Best Brokers, que analisou exclusivamente empresas cotadas em bolsa, deixando de fora unicórnios privados, ou seja, empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares que não têm capital aberto no mercado de ações.

A posição de Portugal neste ranking global deve-se, em grande parte, à relevância e peso de algumas das maiores empresas nacionais presentes no PSI, o principal índice bolsista português. Estas empresas, pela sua dimensão e influência no mercado, representam uma parcela significativa da capitalização bolsista nacional, contribuindo diretamente para a performance do país na tabela internacional.

Entre as companhias que mais impactam esta posição destacam-se a EDP, líder no setor energético, e a sua subsidiária EDP Renováveis, referência em energias limpas. A Galp, gigante do setor petrolífero e energético, também desempenha um papel fundamental, a par da Jerónimo Martins, um dos maiores grupos de retalho em Portugal e com forte presença internacional. O Banco Comercial Português (BCP), uma das principais instituições bancárias do país, completa o conjunto de empresas que mais influenciam a posição de Portugal nesta análise global.

Estados Unidos lideram, mas microestados dominam per capita

Os Estados Unidos lideram a nível mundial no que diz respeito ao número absoluto de empresas cotadas em bolsa com avaliações superiores a mil milhões de dólares. Com um total de 1.873 empresas que atingem este patamar, o país destaca-se pela robustez e diversidade do seu mercado financeiro. Esta posição resulta da dimensão da economia norte-americana, do dinamismo dos seus mercados de capitais e do forte ecossistema de inovação e empreendedorismo, que favorece o crescimento de empresas até atingirem valores de capitalização elevados.

No entanto, quando se analisa a relação entre a população e a quantidade de empresas bilionárias, os pequenos estados europeus assumem destaque. Mónaco, Luxemburgo e Islândia figuram entre os países com maior concentração de empresas de grande valor por habitante.

Mónaco, apesar da sua reduzida dimensão territorial e de uma população inferior a 40 mil habitantes, alberga três empresas cotadas em bolsa com uma capitalização significativa. Todas atuam no setor do transporte marítimo, especializando-se na gestão e fornecimento de navios de carga. A localização estratégica do principado e o seu estatuto como um dos principais centros financeiros internacionais contribuem para a presença de empresas de elevado valor de mercado. A política fiscal favorável e a forte ligação ao comércio e à logística marítima são fatores adicionais que explicam esta elevada concentração empresarial.

Luxemburgo, um dos microestados mais influentes da Europa, apresenta uma economia fortemente orientada para os setores financeiro e tecnológico. A presença de um quadro regulatório atrativo e de políticas fiscais favoráveis faz com que o país seja um destino privilegiado para grandes grupos empresariais. A sua infraestrutura sofisticada e a proximidade a importantes mercados europeus reforçam o seu papel como um dos principais centros financeiros globais, contribuindo para a elevada concentração de empresas bilionárias per capita.

A Islândia, embora menos associada ao setor financeiro, regista igualmente uma presença relevante no ranking. O desenvolvimento de indústrias ligadas à tecnologia, energia renovável e biotecnologia tem impulsionado a criação e valorização de empresas de grande capitalização. A aposta na inovação e na sustentabilidade reflete-se na crescente importância do país no panorama económico global, consolidando a sua posição entre os estados com maior número de empresas de elevado valor em relação à população.

Concentração de empresas de elevado valor na Europa Ocidental e Escandinávia

Os países da Europa Ocidental e da Escandinávia destacam-se como algumas das regiões com maior concentração de empresas de grande capitalização. A solidez das suas economias, associada a um ambiente favorável ao investimento e à inovação, tem contribuído para o crescimento expressivo de empresas cotadas em bolsa com elevado valor de mercado.

A Suíça ocupa a 4.ª posição a nível global, registando 13,8 empresas bilionárias por milhão de habitantes. O país é conhecido pelo seu setor financeiro robusto, pela indústria farmacêutica de grande dimensão e pela presença de multinacionais de renome nos setores da tecnologia e bens de consumo de luxo. O ambiente empresarial estável e as políticas favoráveis ao investimento fazem da Suíça um dos destinos mais atrativos para empresas de elevado valor.

A Suécia surge logo a seguir, em 5.º lugar, com 10,5 empresas bilionárias por milhão de habitantes. O país nórdico beneficia de uma forte tradição industrial e tecnológica, sendo a sede de grandes empresas globais nos setores automóvel, das telecomunicações e da engenharia. A aposta na inovação e o elevado nível de digitalização da economia sueca são fatores determinantes para a valorização das empresas cotadas no mercado bolsista.

A Noruega encontra-se na 8.ª posição, com um total de 7,6 empresas bilionárias por milhão de habitantes. A economia norueguesa, impulsionada pelos setores do petróleo, gás e energias renováveis, tem permitido o crescimento de empresas com grande presença nos mercados internacionais. O investimento contínuo em tecnologia e sustentabilidade tem desempenhado um papel fundamental na valorização das empresas do país.

A Dinamarca, que figura na 10.ª posição com 6,7 empresas bilionárias por milhão de habitantes, destaca-se pela sua forte indústria farmacêutica, pelo setor tecnológico emergente e pelo elevado nível de competitividade da sua economia. Empresas dinamarquesas ligadas à biotecnologia, saúde e software têm conseguido consolidar posições de liderança nos mercados bolsistas, contribuindo para a elevada capitalização do país.

A presença significativa destes países no ranking das nações com maior concentração de empresas bilionárias per capita reflete não apenas o desenvolvimento das suas economias, mas também a capacidade de inovação e o ambiente favorável à criação e expansão de negócios altamente valorizados a nível global.

Três empresários em trajes formais estão dando high-fives ao ar livre em frente a modernos edifícios de vidro, personificando o espírito de 'empresas valiosas'. A mulher à esquerda usa um terno preto, enquanto os dois homens usam ternos escuros. Eles estão comemorando como se estivessem marcando uma história de sucesso per capita. - Efacont

Metodologia do ranking

O estudo realizado pela Best Brokers teve como base dados fornecidos pela CompaniesMarketCap, identificando um total de 5.522 empresas cotadas em bolsa cuja capitalização de mercado ultrapassa os mil milhões de dólares. Para garantir uma análise rigorosa e abrangente, foram ainda consideradas outras fontes de informação reconhecidas internacionalmente, incluindo o CIA World Factbook, o Banco Mundial e as Nações Unidas. Adicionalmente, foram consultadas bases de dados estatísticas oficiais de vários países, permitindo a recolha de informações detalhadas sobre aspetos demográficos e económicos relevantes para o estudo.

A metodologia aplicada procurou assegurar a precisão e a fiabilidade dos resultados, permitindo um mapeamento exaustivo da distribuição global de empresas de grande capitalização. A integração de múltiplas fontes de dados possibilitou uma visão mais aprofundada sobre as dinâmicas dos mercados financeiros, refletindo não apenas o volume de empresas bilionárias em cada país, mas também o seu impacto económico e a forma como se inserem nos respetivos contextos nacionais.

Com esta abordagem, o estudo apresenta uma perspetiva detalhada sobre a presença de empresas de elevado valor em diferentes geografias, evidenciando como certas economias, independentemente da sua dimensão territorial ou populacional, conseguem destacar-se e consolidar posições de relevo no panorama financeiro global. A análise permite ainda compreender melhor os fatores que impulsionam o crescimento e a valorização das empresas cotadas, bem como os elementos que influenciam a concentração destas entidades em determinadas regiões do mundo.